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Metodologia 4 de junho de 2026 5 min de leitura Por A Compasso

Reggio Emilia: a criança tem cem linguagens

A abordagem italiana que vê o espaço como um educador e a curiosidade das crianças como o verdadeiro currículo.

Um pequeno filme

A criança tem cem linguagens

Onde o espaço também educa.

Ver o filme
Versão em filme: a criança e as suas cem linguagens.

Quantas formas tem uma criança de dizer o que pensa? Para Reggio Emilia, pelo menos cem.

De onde vem Reggio Emilia

A história começa de uma forma comovente. No fim da Segunda Guerra Mundial, na cidade italiana de Reggio Emilia, um grupo de pais decidiu construir uma escola com as próprias mãos — literalmente, a partir dos escombros. Um jovem professor chamado Loris Malaguzzi juntou-se a eles e dedicou o resto da vida a essa visão.

O resultado tornou-se uma referência mundial. Em 1991, a revista Newsweek chegou a apontar as escolas de Reggio como estando entre as melhores do mundo. Hoje, educadores de todo o planeta vão até àquela pequena cidade para aprender com elas.

Três ideias no coração de Reggio

Reggio não é uma lista de regras, mas uma forma de olhar para a criança. Três ideias ajudam a perceber o essencial:

As cem linguagens
A imagem da criança

Uma criança forte e capaz.

Tudo parte de uma ideia: a criança não é um vaso vazio à espera de ser preenchido. É competente, curiosa e cheia de potencial desde o primeiro dia. O educador parte daquilo que ela já é capaz.

Da criança irradiam muitas formas de pensar e de se exprimir.

Projetos que nascem da curiosidade

Em Reggio, o programa não vem todo decidido de antemão. Parte-se daquilo que desperta a curiosidade das crianças — uma poça de água, as sombras, os caracóis do jardim — e desenvolve-se um projeto que pode durar semanas ou meses. As crianças investigam a fundo, em vez de tocar superficialmente em muitos temas.

Documentar para tornar visível

Os educadores registam tudo: fotografias, frases das crianças, desenhos, fases de cada trabalho. A esta prática chama-se documentação, e serve para tornar a aprendizagem visível — às crianças, às famílias e aos próprios educadores, que assim refletem e decidem os passos seguintes. Muitas escolas têm até um espaço dedicado à arte, o atelier, com um artista a acompanhar.

Marcas de Reggio Emilia

Currículo emergente, guiado pelas perguntas das crianças
O atelier e a expressão artística
Documentação do percurso de aprendizagem
Famílias e comunidade muito presentes

No fundo

Reggio Emilia confia na criança. Confia que ela é capaz, que tem mil formas de se exprimir e que aprende melhor quando o espaço, os adultos e a comunidade conspiram a favor da sua curiosidade. Educar, aqui, é sobretudo escutar.

É uma das abordagens que inspiram o nosso dia a dia na Compasso.

Quer conhecer como ensinamos?

Esta é uma das metodologias que combinamos no nosso projeto educativo.